Os ataques cibernéticos estão se tornando cada vez mais sofisticados e ligados a eventos políticos. O mais recente Relatório de Inteligência de Ameaças DDoS da NETSCOUT revelou que o Brasil registrou mais de meio milhão de ataques no segundo semestre de 2024, um crescimento de 43% em relação ao primeiro semestre. Muitas das ofensivas estão sendo utilizadas para desestabilizar governos e instituições.
R E S U M O
- Crescimento: Brasil teve mais de 514 mil ataques cibernéticos em seis meses, liderando na América Latina.
- Tendência global: Relatório aponta que ataques DDoS estão fortemente ligados a conflitos políticos e sociais.
- Novas ameaças: Uso de IA e redes de botnets torna ataques mais potentes e difíceis de combater.
Brasil lidera na América Latina
No segundo semestre de 2024, o Brasil contabilizou 514.210 ataques, superando a metade do total registrado na América Latina. Esse número representa um aumento de 43% em comparação ao primeiro semestre, quando foram registrados 357.422 incidentes. No continente, foram mais de um milhão de ataques DDoS em apenas seis meses.
O maior ataque DDoS registrado no período atingiu 788,41 Gbps de largura de banda e durou, em média, 53 minutos. Entre os setores mais atingidos, as empresas de telecomunicações sem fio sofreram quase 49 mil ataques, seguidas por infraestrutura de hospedagem e transporte de frete.
Ataques ligados a crises políticas
Os dados apontam que os ataques DDoS estão cada vez mais conectados a momentos de instabilidade política e social. Israel, por exemplo, registrou um aumento de 2.844% nos ataques durante conflitos no país. Na Geórgia, os incidentes cresceram 1.489% antes da aprovação de uma polêmica lei, enquanto o México viu um salto de 218% nas eleições nacionais. No Reino Unido, o aumento foi de 152% no dia em que o Partido Trabalhista retomou suas atividades no Parlamento.
"Os ataques DDoS se tornaram a ferramenta mais usada para a guerra cibernética", afirmou Richard Hummel, diretor de inteligência de ameaças da NETSCOUT. O grupo hacker NoName057(16) continua liderando campanhas de ataques contra governos europeus.
Inteligência artificial e botnets ampliam riscos
O estudo também destaca que os serviços de ataques DDoS de aluguel estão mais perigosos, impulsionados pelo uso de inteligência artificial. Agora, cerca de 90% das plataformas de aluguel utilizam IA para burlar proteções como CAPTCHAs, além de empregar técnicas avançadas como falsificação geográfica e ataques baseados em IPv6.
Outro fator preocupante é o uso de botnets, que transformam servidores e roteadores invadidos em armas digitais. Mesmo com esforços globais para desmantelar essas redes, como a Operação PowerOFF, os criminosos conseguem se reorganizar rapidamente, mantendo o volume de ataques estável.
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